
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio à grave crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank. Minutos depois, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, com 78 votos favoráveis, a abertura do processo de impeachment contra o mandatário, encaminhando a acusação ao Senado.
A decisão ocorre após três dias de manifestações em Assunção, onde milhares de paraguaios protestam contra o bloqueio de depósitos, salários e aposentadorias. O Ueno Bank, que atendia aproximadamente três milhões de clientes, sofreu intervenção do Banco Central depois que irregularidades contábeis e operações de crédito consideradas arriscadas comprometeram sua solvência.
Ligações com o banco ampliam crise política
Peña enfrenta questionamentos por seus vínculos empresariais anteriores com o grupo controlador do Ueno Bank, do qual foi acionista até 2025. Parlamentares também apontam possíveis conflitos de interesses e irregularidades envolvendo recursos públicos depositados na instituição. As acusações ainda dependem de apuração e não representam condenação judicial do presidente.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que sua renúncia busca preservar a estabilidade nacional, a paz social e as instituições democráticas. O presidente pediu desculpas à população, mas não assumiu responsabilidade direta pela crise bancária.
Pedro Alliana deve assumir Presidência
Com a renúncia apresentada, o vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor constitucional previsto para completar o mandato até agosto de 2028. Entretanto, a transição ainda depende da formalização da renúncia pelo Congresso, enquanto o Senado deverá definir o encaminhamento do impeachment aprovado pela Câmara.
A sessão para apreciar a renúncia está prevista para as 17h desta quinta-feira, com possibilidade de posse de Alliana posteriormente. Até a atualização desta reportagem, a conclusão desses procedimentos não estava confirmada.
A crise representa uma das maiores turbulências políticas recentes do Paraguai e mantém o país em expectativa sobre a sucessão presidencial, a responsabilização dos envolvidos e a recuperação dos recursos de milhões de correntistas.
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