
A Fórmula 1 tem um novo rei. Aos 20 anos, Andrea Kimi Antonelli conquistou seu primeiro título mundial no domingo católico (1º), ao terminar o Grande Prêmio da Cidade do México na terceira colocação. O italiano da Mercedes tornou-se o campeão mais jovem da história da categoria, superando o recorde de Sebastian Vettel, que tinha 23 anos quando conquistou sua primeira taça, em 2010.
A conquista aconteceu de maneira simbólica. No Autódromo Hermanos Rodríguez, Antonelli dividiu o pódio com dois gigantes do automobilismo: Max Verstappen, vencedor da corrida, e Lewis Hamilton, segundo colocado. Entre o neerlandês tetracampeão e o britânico heptacampeão, o jovem italiano celebrou a consagração de uma carreira que promete marcar uma nova geração.
Uma temporada de recordes históricos
O título coroou uma campanha extraordinária. Em 19 Grandes Prêmios disputados até o México, Antonelli acumulou 380 pontos no campeonato, nove vitórias, 16 pódios, sete pole positions e sete voltas mais rápidas. Com quatro etapas ainda previstas, o italiano já havia assegurado matematicamente o Mundial em sua segunda temporada na Fórmula 1.
Sua coleção de recordes impressiona: tornou-se o piloto mais jovem a conquistar uma pole position, aos 19 anos, seis meses e 18 dias, na China; o mais jovem a vencer largando da pole; e o mais jovem a liderar o Campeonato Mundial, aos 19 anos, sete meses e quatro dias, após vencer no Japão.
Também foi o primeiro piloto da história a transformar suas três primeiras poles em vitórias, conquistou cinco triunfos consecutivos no início da temporada e tornou-se o vencedor mais jovem do Grande Prêmio de Mônaco. Nas ruas de Monte Carlo, ainda estabeleceu o recorde de precocidade para um Grand Slam — pole, vitória, melhor volta e liderança de todas as voltas.
Em setembro, venceu o Grande Prêmio da Itália, encerrando um jejum de 60 anos sem triunfos de pilotos italianos em Monza. Agora, tornou-se o primeiro campeão mundial italiano desde Alberto Ascari, em 1953, e o primeiro piloto nascido nos anos 2000 a conquistar o título máximo do automobilismo.
De menino prodígio a campeão mundial
Nascido em Bolonha, em 25 de agosto de 2006, Antonelli cresceu cercado pelo automobilismo. Seu pai, Marco Antonelli, foi piloto e fundou uma equipe de competições. Ainda criança, Kimi demonstrou talento no kart, conquistando títulos europeus em 2020 e 2021.
Contratado pelo programa de jovens pilotos da Mercedes aos 12 anos, conquistou os campeonatos italiano e alemão de Fórmula 4 em 2022 e os títulos das Fórmulas Regional do Oriente Médio e Europeia em 2023. Seu desenvolvimento foi tão acelerado que saltou diretamente para a Fórmula 2, sem disputar a Fórmula 3.
Em 2025, recebeu a responsabilidade de substituir Lewis Hamilton na Mercedes. Estreou na Fórmula 1 aos 18 anos, conquistou seu primeiro pódio no Canadá e terminou a temporada em sétimo lugar. Apenas um ano depois, transformou a aposta da equipe alemã em um título mundial.
O novo Senna e o simbolismo do número 12
As comparações com Ayrton Senna não surgem apenas da velocidade, da juventude ou da capacidade de vencer sob pressão. Antonelli tem o brasileiro como referência e escolheu competir com o número 12, o mesmo utilizado por Senna na conquista de seu primeiro Mundial, em 1988, pela McLaren.
Assim como o tricampeão brasileiro, o italiano demonstra agressividade nas pistas, precisão nas classificações e uma capacidade incomum de transformar talento em resultados. A semelhança, porém, é sobretudo simbólica: Senna construiu uma trajetória própria e permanece uma referência singular na história do esporte.
Antonelli já sinalizou que pretende continuar utilizando o número 12, mesmo tendo conquistado o direito de adotar o número 1 reservado ao campeão mundial. O gesto reforça sua admiração pelo brasileiro e a ligação entre duas gerações separadas por quase quatro décadas.
Um pódio perfeito para entrar na história
O encerramento do Grande Prêmio do México proporcionou uma das imagens mais marcantes da temporada. Verstappen venceu a corrida, Hamilton terminou em segundo e Antonelli completou o pódio em terceiro, garantindo matematicamente o título mundial.
O italiano precisava apenas da nona colocação para assegurar a conquista, mas foi além e celebrou entre dois dos maiores campeões da história. Emocionado, revelou que pretende guardar uma fotografia daquele momento, reconhecendo o significado de receber o respeito de pilotos que já dominaram a categoria.
Aos 20 anos, Antonelli ainda tem uma longa carreira pela frente. Não é possível prever se alcançará os feitos de Senna, Hamilton ou Schumacher, mas seus números já o colocam entre os maiores fenômenos de precocidade da Fórmula 1.
A Fórmula 1 não encontrou outro Ayrton Senna. Encontrou Kimi Antonelli, um jovem que carrega a inspiração do brasileiro e já começa a escrever sua própria história entre os gigantes do automobilismo mundial.
Mín. 19° Máx. 35°