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O Vale do Panjshir é uma região montanhosa e inacessível

Talibã entra em confronto com grupo de resistência no norte de Cabul

Fonte: Por Mohammed Tawfeeq e Nathan Hodgeda da CNN

Confrontos intensos eclodiram na noite desta quinta-feira (2) em torno do Vale do Panjshir, no norte do Afeganistão, entre combatentes do Talibã e um grupo anti-talibã, de acordo com uma fonte do grupo.

O Vale do Panjshir, uma região montanhosa e inacessível ao norte de Cabul, é a última grande barreira contra o domínio do Talibã e tem uma longa história de resistência ao grupo islâmico

Os combates esporádicos entre o Talibã e a Frente de Resistência Nacional (NRF) se estendem há duas semanas. O Talibã tem concentrado forças na província de Panjshir e em torno dela nas últimas semanas e disse nesta segunda-feira que capturou três distritos no vale.

Os confrontos noturnos entre o Talibã e o grupo de resistência começaram na noite desta quinta e foram muito intensos, disse a fonte da NRF.

“Eles [o Talibã] estão usando seu último poder para entrar, mas os confrontos ainda estão acontecendo”, acrescentou a fonte.

Mais cedo, Fahim Dashti, um porta-voz da NRF, disse em uma mensagem de áudio que o Talibã perdeu 40 de suas forças em suas tentativas contínuas de entrar em Panjshir. Ali Nazary, outro porta-voz do grupo, disse que o Talibã também perdeu diversos equipamentos pesados ​​e armamentos que foram destruídos. A CNN não verificou de forma independente as vítimas do Talibã.

Separadamente, uma fonte do Talibã forneceu vídeos de supostos combates e consequências. A CNN não conseguiu verificar imediatamente o local da gravação ou quando os vídeos foram filmados.

Na quarta-feira, um líder do Talibã pediu aos Panjshiris que aceitassem uma anistia e evitassem os combates, mas reconheceu que as negociações até agora não deram resultado. Ele disse que a situação “deve ser resolvida pacificamente”, mas não abordou diretamente as reivindicações de novos combates e baixas.

O Vale Panjshir é o epicentro da guerra afegã e há muito tempo resiste à ocupação estrangeira, do exército do Império Britânico às forças soviéticas e ao Talibã.

Militante do Talibã em desfile de armamentos em comemoração à saída dos EUA do Afeganistão / STRINGER/EPA-EFE/Shutterstock

A paisagem acidentada e inacessível desempenha um papel em seu sucesso defensivo, dando às forças locais uma vantagem sobre os possíveis invasores.

Depois que a URSS, que controlava Cabul e grande parte do país na década de 1980, se retirou do Afeganistão em 1989, várias facções de mujahedeen – ou os chamados guerreiros sagrados islâmicos – se dividiram em grupos, lutando pelo controle do país.

A Aliança do Norte – agora um componente principal da NRF – logo foi formada. Liderado por Ahmad Shah Massoud, o grupo conseguiu manter o Vale Panjshir livre da influência do Talibã. Massoud liderou uma ofensiva anti-Talibã até ser assassinado por membros da Al Qaeda dois dias antes dos ataques de 11 de setembro de 2001.

A coalizão, e a NRF mais ampla, é agora liderada pelo filho de Massoud, Ahmad Massoud, que prometeu continuar a luta contra o Talibã após a tomada de Cabul.

Massoud e a NRF estão agora reunindo forças anti-Talibã no Vale do Panjshir, que incluem forças de resistência locais e remanescentes do ex-exército afegão.

Pessoas fugindo do Talibã, incluindo o ex-vice-presidente afegão, Amrullah Saleh, também buscaram refúgio no Vale.

“O Talibã não mudou e ainda busca o domínio em todo o país”, disse Massoud à CNN em uma entrevista nesta quarta-feira. “Estamos resistindo ao domínio, intolerância e opressão trazida por uma força política sobre a maioria da população que não os apóia.”

Ele acrescentou que a NRF ainda estava tentando negociar com o Talibã – mas até agora, esse diálogo “não resultou em nada tangível”. As conversas estão ocorrendo na cidade de Charika, capital da província vizinha de Parwan.

“As negociações têm seus limites”, disse ele, citando um proeminente general militar prussiano. “A guerra é a continuação da política e se enfrentarmos a agressão seremos forçados a lutar e lançar resistência para defender nossa terra, nosso povo e nossos valores.”

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