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Representantes das classes trabalhadoras sofreram diversos ataques de políticos que representam outros grupos políticos nos últimos anos

Pouca representatividade obriga sindicalistas a disputarem eleições em 2022

Fonte: Por Edivaldo Bitencourt do O Jacaré

Cansados de pedir apoio de representantes do agronegócio, da bancada da bala, dos evangélicos, dos empresários, entre outras categorias, os sindicalistas decidiram investir na disputa de um cargo na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados para representar os trabalhadores.

 

Há pelo menos sete pré-candidatos nas eleições deste ano para lutar pelos professores, trabalhadores do Poder Judiciário, policiais civis e militares, dos funcionários da saúde e do Detran.

 

“Nesta eleição, a importância é total em se eleger representantes políticos comprometidos com o serviço público, pois vivemos praticamente um massacre de direitos e se não for modificada drasticamente a composição do legislativo o que está em jogo não é apenas a perda de alguns direitos, mas sim a destruição total do serviço público de qualidade”, explica o coordenador-geral do Fórum dos Servidores Públicos e presidente do Sindijus (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário).

“ Com a alta carga tributária do nosso país todos têm direito a saúde, educação, segurança, justiça e serviços em geral de qualidade e gratuitos, o que é inviabilizado pelo desvio de recursos para a corrupção que causa falta de investimentos em estrutura e pessoal”, explica.

 

“É preciso barrar a forte corrente que atua em busca da precarização do serviço público que causa a perda da qualidade ao mesmo tempo em que encarece os custos por focarem em aumento dos cargos para indicação política (sem concurso público) gerando inchaço nos gastos para favorecer apadrinhados políticos, bem com o repasse de serviços públicos para empresas privadas envolvendo transferências de verbas milionárias, situações onde ocorrem a maior parte dos grandes casos de corrupção por envolverem movimentações financeiras gigantescas e eventualmente relações ocultas com a classe política dominante”, frisa Barros.

 

Um dos raros representantes dos trabalhadores eleito deputado federal foi Antonio Carlos Biffi, que teve três mandatos na Câmara dos Deputados.

 

Um dos fundadores da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de MS), ele acha muito importante a participação dos trabalhadores.

 

Ele explica que os trabalhadores são a maior parte do eleitorado, mas é o que menos tem representante do Congresso Nacional. Dos 520 deputados, apenas 120 são oriundos dos movimentos sociais e sindicatos.

 

Conforme Biffi, toda vez que tem um projeto de interesse dos trabalhadores, a categoria acaba sendo derrotada pelos grupos poderosos, como a bancada da bala, do agronegócio e dos evangélicos. “É uma questão de luta de classes e não se tem essa consciência”, lamenta.

 

Como deputado federal, ele conta que houve a votação do piso nacional da educação, o plano de cargos e carreiras do magistério, a regulamentação das empregadas domésticas, a criação do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Públcia), a destinação de 10% do PIB para a educação e o transporte escolar.

 

Desde 2015, conforme o ex-deputado, os trabalhadores só acumulam derrotas no Congresso Nacional, como a reforma da previdência e a reforma trabalhista.

 

Um das mudanças foi a que dificulta o acesso do trabalhador à Justiça do Trabalho, que era gratuita e passou a ser cobrada.

 

Confira alguns sindicalistas que são candidatos nas eleições deste ano:

 

 

Jaime Teixeira, 62 anos.

Candidato a deputado federal pelo PT. Professor de Matemática da rede estadual, ele tem pós-graduação em gestão escolar e é militante do movimento sindical há 36 anos. Ele está no quarto mandato como presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores da Educação de Mato Grosso do Sul). Foi duas vezes presidente e vice-presidente da ACP [Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais em Educação Pública de Campo Grande]. Um dos destaques é a construção da nova sede da federação e o hotel de trânsito dos trabalhadores da educação.

 

Ricardo Bueno, 45 anos

Candidato a deputado estadual pelo PSB. Trabalhador em saúde (técnico de enfermagem), conselheiro fiscal da Cassems, conselheiro, atual presidente do Conselho Estadual de Saúde e um dos coordenadores do Fórum do Servidor estadual. Funcionário do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian e ex-presidente e atual tesoureiro do Sintss (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social).

 

Lucilio Nobre, 49 anos

Candidato a deputado estadual pelo PDT. Graduado em Geografia pela UCDB e pós-graduado em Gestão Educacional pela Uniderp. Professor e está no segundo mandato como presidente da ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), presidente do Conselho Fiscal da Cassems, diretor estadual da Fetems . É concursado da rede estadual e foi diretor da Escola estadual Joaquim Murtinho. Na rede privada, atuou nas escolas Maria Montessori e Alicerce.

 

Fabiano Reis, 42 anos

Candidato deputado estadual pelo MDB. Ele foi presidente do SINDIJUS (Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul) e atualmente exerce função de diretor-tesoureiro. É Conselheiro Fiscal da CASSEMS e atuou como coordenador-geral do Fórum dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul. Também foi coordenador de assuntos parlamentares na FENAJUD (Federação Nacional de Trabalhadores do Judiciário nos Estados).

 

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Giancarlo Miranda, 41 anos.

Candidato a deputado estadual pelo PSB. Giancarlo é escrivão da Polícia Civil e foi candidato a vereador da Capital pelo mesmo partido. Ele foi presidente por dois mandatos do Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul) e comandou a paralisação dos policiais e acampamento no Parque dos Poderes. Ele também foi um dos coordenadores do Fórum dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul.

 

Alírio Villasanti, 55 anos.

Candidato a deputado federal pelo União Brasil. Vereador de Campo Grande e coronel da Polícia Militar, ele é formado em Direito com várias pós-graduações na área de segurança pública, gestão pública e planejamento estratégico. Professor e escritor, ele foi presidente por seis anos da Associação dos Oficiais Militares Estaduais de Mato Grosso do Sul (AOFMS) e vice-presidente da Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais (FENEME). Alírio foi diretor da Policlínica da PM, juiz Militar Estadual e comandante do Batalhão da Polícia de Trânsito de Campo Grande.

 

Octacílio Sakai Júnior, 46 anos.

Candidato a deputado estadual pelo MDB. Funcionário do Departamento Estadual de Trânsito, ele foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores do órgão. Ele foi um dos responsáveis pela prisão de cinco diretores do órgão pelo desvio de mais de R$ 7 milhões dos cofres públicos na Operação Antívirus. Ele também foi integrante do Fórum dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul).

 

Policiais civis fizeram vários protestos contra reajuste zero: Reinaldo só deu reajuste em três dos oito anos de gestão e o maior ocorreu neste ano (Foto: Arquivo)
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