EXPEDIENTE
Manifestantes ficaram cerca de uma hora na sede da B3; eles carregavam faixas e cartazes com frases como 'Sua ação financia nossa miséria'.

Movimentos sociais ocupam Bolsa de Valores, em SP, em protesto contra desemprego e inflação

Fonte: G1

Integrantes de movimentos sociais ocuparam nesta quinta-feira (23) a B3, sede da Bolsa de Valores brasileira, na cidade de São Paulo, em protesto contra o desemprego, a inflação e a fome.

De acordo com os manifestantes, o local do ato foi escolhido porque as ações das grandes empresas estavam em alta até meados deste ano, e o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu, mas a expansão foi desigual e deixou de fora especialmente a classe de renda mais baixa. (leia mais abaixo)

O protesto, dentro e em frente à B3, no Centro, durou cerca de duas horas.

“É inadmissível que quase 100 milhões de brasileiros estejam em situação de fome e insegurança alimentar enquanto os bilionários movimentam R$ 35 bilhões por dia só aqui na bolsa”, afirmou Debora Pereira, liderança do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).

 

MTST invade a Bolsa de Valores na capital paulista — Foto: Vivian Reis/G1

MTST invade a Bolsa de Valores na capital paulista — Foto: Vivian Reis/G1

 

E completou:

“Estamos aqui para denunciar o que acontece no país e a política por trás disso. Em um ano, o número de milionários dobrou, enquanto aumentou a miséria. Não é possível que 99% da população empobreça para que 1% enriqueça. Este é um grito que estava engasgado na garganta de quem vai no supermercado”.

Os manifestantes cantavam e levavam faixas e cartazes com dizeres como “Sua ação financia nossa miséria”, “Tá tudo caro e a culpa é do Bolsonaro”, “Brasil tem 42 novos bilionários enquanto 19 milhões passam fome”, “Tem gente ficando rica com a nossa fome”.

Alguns dos participantes carregavam ossos bovinos durante o ato.

“Até osso que era dado em açougue agora é vendido”, falou Debora.

Manifestantes em frente ao prédio da B3, no Centro da cidade de SP — Foto: Vivian Reis/g1

Manifestantes em frente ao prédio da B3, no Centro da cidade de SP — Foto: Vivian Reis/g1

 

A bolsa está no vermelho desde que a crise política disparou a inflação e demandou alta nos juros.

Ela apresenta queda de 5% no ano até esta quinta.

Em nota, a B3 informou que “a manifestação nesta tarde ocorreu de forma pacífica e já foi encerrada, não tendo havido impacto para as operações de mercado”.

Movimentos sociais ocuparam prédio da B3, a Bolsa de Valores de SP, em protesto contra o desemprego e a fome — Foto: Vivian Reis/G1

Movimentos sociais ocuparam prédio da B3, a Bolsa de Valores de SP, em protesto contra o desemprego e a fome — Foto: Vivian Reis/G1

Recordes em meio à crise

 

Em junho, a B3 bateu recordes e chegou a acumular oito altas consecutivas na maior série de ganhos desde 2018.

O otimismo dos mercados acompanhou uma valorização nas principais bolsas do mundo, influenciadas pelos programas de ajuda dos Estados Unidos e da Europa em meio à pandemia, que despejaram bilhões de dólares na economia global.

 

Além disso, houve melhora na economia por aqui, com o aumento do ritmo da vacinação e a retomada de atividades suspensas pela pandemia da Covid-19.

O Ibovespa, principal índice da B3, no entanto, não reflete o cenário econômico do país, já que a bolsa tem nas grandes companhias o grande impulso para avançar em pontuação.

Paralelamente ao otimismo dos investidores, pouco mais de 10% da população estava vacinada com as duas doses àquela altura, os pedidos de falência cresceram mais de 50% em maio, e houve queda de 0,1% no consumo das famílias devido à redução do auxílio emergencial, do aumento da inflação e do desemprego em patamar recorde de quase 15 milhões de pessoas sem ocupação.

COMPARTILHE AGORA MESMO!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no facebook
Compartilhar no telegram
Compartilhar no twitter
Compartilhar no skype
COMENTE AGORA MESMO!