EXPEDIENTE
Ele acessava dados sigilosos e mudava fichas de presos para o advogado

Ligação estreita com advogado e ‘favores’ fizeram policial penal ter respeito do PCC

Fonte: Por Thatiana Melo e Renata Portela do MIdiamax

Nesta quinta-feira (7), a defesa do policial penal preso na Operação Courrier entrou com pedido de liberdade provisória.

 

O agente é acusado de favorecer um advogado, peça-chave da investigação, fornecendo informações sigilosas e modificando dados nas fichas de presos, maneira como ele teria conquistado o respeito de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital).

 

A investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) aponta que, em ligação telefônica, o policial penal relatou a uma familiar que seria transferido. Ele disse que faria plantões no Presídio de Segurança Máxima – Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho.

 

Questionado se o local era perigoso, ele diz que “Já estava de boa com o PCC lá, então é mais tranquilo”, revelando que, no presídio em que trabalhava, já havia conquistado o respeito dos faccionados, por tratá-los com respeito. O agente está preso preventivamente desde o dia 25 de março.

 

Conforme relatado pelo Gaeco, o policial tinha uma “relação promíscua” com o advogado.

 

Os dois se mostraram bastante íntimos nas conversas flagradas pela acusação, sendo que o advogado frequentemente acionava o agente para pedir os favores ilegais. Um dos favores atendidos seria a transferência de um preso.

 

Este detento saiu de um presídio do interior e foi transferido para a Máxima em Campo Grande, a pedido do advogado.

 

Tal advogado também teria conseguido, por um agente ainda não identificado, a transferência de uma liderança do PCC para Minas Gerais, mediante pagamento de R$ 40 mil.

 

Já em outra ocasião, o policial penal teria favorecido um preso, para que esse conseguisse uma saída temporária.

 

Assim que saiu, o preso se encontrou com o policial e o advogado e, juntos, os três tomaram chopp. Por fim, o Gaeco também lembra que o agente chegava a indicar o advogado para vários presos, garantindo uma troca de favores.

 

Pedido de liberdade para o policial penal

No pedido, a defesa do policial penal alega que ele não tem autoridade para mudar presos de cela ou de presídio. Além disso, que o acesso às fichas criminais que o agente encaminhava para o advogado não é ilegal, já que pode ser solicitado na unidade penal ou pelo juízo de execução.

 

Os advogados do agente alegam que ele não integra organização criminosa, é réu primário, tem trabalho lícito, bons antecedentes e residência fixa. Além disso, se apresentou espontaneamente no Gaeco.

 

Foi feito pedido da liberdade provisória, sem fiança, com medidas cautelares que o juiz entender necessárias.

Operação Courrier

Ao menos 15 advogados foram identificados durante as investigações do Gaeco sobre o núcleo ‘Sintonia dos Gravatas’, do PCC. Parte destes, com mandados de prisão e busca e apreensão, foram alvos da Operação Courrier.

 

Conforme o relatório do Gaeco, os advogados são suspeitos de integrarem a facção criminosa, repassando recados entre os membros que estão presos.

 

Entre eles, um advogado seria do estado de São Paulo e atua na defesa de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como liderança da facção.

 

Entre os investigados também estão dois servidores da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, um deles preso na operação e outro exonerado do cargo, além de dois policiais penais, um também preso.

 

Já entre os integrantes da facção que estão presos, foram apontados 5 como lideranças do PCC, que mantinham contato direto com os advogados investigados. A operação cumpriu 38 mandados, entre os de busca e apreensão e os de prisão.

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