José de Abreu se declara presidente e avalia Bolsonaro: “Analfabeto”

Inspirado pela autodeclaração do venezuelano Juan Guaidó, o ator brinca de líder e diz que vai soltar Lula

O Brasil tem um novo presidente. José de Abreu passa a usar todo seu legado político, e artístico, a serviço da nação a partir de hoje. A autoproclamação do ator é, obviamente, um misto de piada e protesto, como qualquer cidadão com o mínimo de lucidez, nestes tempos irracionais, pode perceber. Nosso Juan Guaidó às avessas, desalinhado com Trump e desarticulado com Jair Bolsonaro, bombou nas redes sociais e até escolheu seu ministério – encabeçado por Lula.

“Acabei de me proclamar presidente do Brasil. Quem me apoia?”, disse Abreu, iniciando a avalanche da turma da brincadeira acima de tudo. Em questões de minutos, seu nome já aparecia nos assuntos mais falados do Twitter, com apoio massivo de internautas.

“Vamos exigir respeito à minha autodeclarada Presidência como estão dando para o venezuelano. Por que ele tem e eu não?”, disse o ator, citando Guaidó (o real), sua inspiração máxima na tentativa de assumir a cadeira e o par de chinelos utilizados por Jair Bolsonaro.

Em entrevista a CartaCapital, o presidente interino diz que sua primeira ação será libertar o ex-presidente Lula, preso há quase um ano pela Lava Jato. “O Moro aceitar o cargo de ministro comprovou que tiraram o Lula da disputa. Não há legitimidade quando um candidato é preso sem provas. O Lula poderia salvar a economia do país com sua sensibilidade política”, afirmou o presidente.

Abreu está na Grécia, mas já se prepara para chegar no Brasil no dia 8 de março, data escolhida para a sua “posse”. E quer colocar os pés no País sambando na cara dos opositores. As atrações escolhidas (ainda que elas não saibam) para recebê-lo no aeroporto do Galeão, no Rio, são Chico Buarque, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil e outros nomes de sua geração. “Será uma grande festa”, garante o presidente. Uma espécie de reedição do Festival da Canção de 1968, digamos.

Com o slogan “Nossa bandeira jamais será laranja”, vossa excelência já escolheu os nomes para integrar seus ministérios: Eduardo Suplicy para Ministério do Bem e tudo o que envolve os menos favorecidos. A pasta de Educação fica com Fernando Haddad. Minas e Energia para Dilma. E, para deleite do clube dos antipetistas, o autodeclarado entrega a pasta da Cultura para o ex-presidente Lula – pois é “o brasileiro com mais títulos de doutor na História”. Finalizando o primeiro escalão, Jean Wyllys (Ministério da Segurança Pública e Respeito ao Cidadão) e Guilherme Boulos (Habitação).

Confira abaixo entrevista com o ator/presidente:

CartaCapital: Qual será sua primeira ação como presidente?
José de Abreu: Encontrar uma solução para se fazer justiça com o Lula. O fato de o ex-juiz Sérgio Moro aceitar o Ministério da Justiça como pagamento por ter tirado o Lula da disputa  é inaceitável. Comprovou que tiraram o Lula da disputa. Não há legitimidade quando um candidato é preso sem provas. O Lula poderia salvar a economia do país com sua sensibilidade política.

CC: Como será o seu posicionamento com a Venezuela?
JA: Será com apreço, como será com os EUA, respeitando a vontade do povo. Não se pode invadir um país. Vou tratá-los como qualquer outro país, não interferindo em sua política interna.

CC: O que o senhor acha do Juan Guaidó, um presidente autodeclarado, ganhar tanta força?
JA: É completamente insólito. É a primeira vez na história que isso acontece. Talvez tenha sido combinado com o Trump, para ter um reconhecimento institucional, uma maneira indireta de tirar a legitimidade do Maduro. Parece que a coisa não funcionou, saiu pela culatra.

CC: E sobre a ajuda humanitária enviada pelos países?
JA: Isso foi uma provocação. Se é uma ajuda humanitária, deveria ser feito pela Cruz Vermelha e com autorização da ONU, sem a presença de países. Não é qualquer país que pode fazer isso. Não é uma ajuda humanitária e parece que não deu certo.

CC: O senhor acha que existe algum interesse por trás dessa ajuda?
JA: É óbvio, o país que mais tem petróleo no mundo. E quantas guerras os EUA já fizeram por causa de petróleo? É muito mais barato comprar políticos brasileiros e venezuelanos em vez de promover outra guerra no Oriente Médio. É longe e fica caro. É tudo interesse econômico. Eu não sou fã de Maduro, mas o bloqueio que fizeram contra a Venezuela ajudou nessa situação que se encontra o país.

CC: O senhor fará a Reforma da Previdência?
JA: Primeiro precisamos ver se existe déficit mesmo e discutir sobre o tema. Se o déficit for real, eu faria sem penalizar o povo brasileiro, utilizando os royalties do petróleo e fazendo a lei das grandes fortunas, como é na França.  O governo precisa taxar os mais ricos. Empresários brasileiros não pagam imposto de pessoa física, isso é uma loucura. Existem milhares de coisas que se pode fazer para consertar esse déficit e não jogar a conta para os mais pobres.

CC: Qual seu recado como presidente autoproclamado para Jair Bolsonaro.
JA: Não tenho recado nenhum para esse cara. Não o reconheço como presidente. Ele é uma farsa, isso não existe. Presidente tinha que ser o Lula. Até porque ele não entende o que a gente fala. O cara é um analfabeto, não tenho recado nenhum.

CC: E qual sua primeira declaração ao povo brasileiro?
JA: O objetivo da política é o bem comum e a felicidade do seu povo. É para isso que todo presidente deveria lutar. Eu acho que mais importante que o PIB é o nível de felicidade. E eu vou lutar pela proteção das minorias, negros, LGBTs, mulheres e todos terão seus direitos garantidos.

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