Crise no PSL: Candidata o senado afirma ter sido ameaçada por presidente do Partido

Soraya, candidata a senadora, passou a andar com colete a prova de balas após ameaças feitas pelo primeiro suplente e presidente regional do partido (Foto: Divulgação)

Por Edivaldo Bitencourt*/ O Jacaré

 

A disputa pelo Senado virou caso de polícia em Mato Grosso do Sul. Candidata a senadora, a advogada Soraya Thronicke (PSL), que é defendida pelo presidenciável Jair Bolsonaro, foi ameaçada pelo presidente regional da sigla no Estado, o pecuarista Rodolfo Oliveira Nogueira,  44 anos.

Em decorrência das ameaças feitas por telefone, a candidata fez boletim de ocorrência na Policia Civil na tarde de quinta-feira. Na manhã desta sexta-feira, Soraya denunciou o caso à direção nacional e pediu a expulsão do seu primeiro suplente do PSL.

A ameaça surge no momento crucial da campanha de Bolsonaro, acusado de ameaçar a ex-esposa e na véspera do movimento nacional das mulheres, contra e a favor do candidato a presidente da República.

As ameaças foram feitas no dia 1º deste mês, conforme o boletim de ocorrência registrado na 1ª Delegacia de Campo Grande. Desde então, a candidata a senadora passou a usar colete a prova de balas e andar com seguranças nos eventos de campanha, como as carreatas realizadas em Dourados, terra do presidente regional do partido, e Maracaju.

Nogueira não gostou de a candidata solicitar a intervenção do diretório nacional na campanha no Estado, que estaria beneficiando seus adversários, o ex-prefeito da Capital, Nelsinho Trad (PTB) e o ex-secretário estadual de Infraestrutura, Marcelo  Miglioli (PSDB). Os santinhos dos candidatos do PSL ignoraram Soraya e até Bolsonaro.

“Eu vou te avisar, nunca mais passe por cima de mim”, teria dito Rodolfo, ao telefone “Escute bem, na próxima vez que você passar por cima de mim, eu acabo com você”, teria dito, conforme o boletim policial e a petição encaminhada ao diretório nacional.

“Você não sabe do que eu sou capaz. Eu vou acabar com você. Eu vou arrebentar com você”, ameaçou, conforme relato da vítima.

Trecho do pedido de expulsão do partido: as frases usadas por Rodolfo para usar candidata de seu partido (Foto: Reprodução)

A rusga começou na convenção regional da sigla, quando os correligionários foram surpreendidos da aliança do PSL com o PSDB e com a decisão de apoiar à reeleição do governador Reinaldo Azambuja. A direção nacional tinha vetado aliança com os tucanos.

A situação começou a ficar complicada no final de agosto, quando o segundo suplente de Soraya, o advogado Danny Fabrício Cabral Gomes (PSL) questionou o candidato a senador Dorival Betini (PMB) por fazer material junto com Bolsonaro. O candidato informou ter autorização da direção regional para fazer a campanha.

Em seguida, o PSDB imprimiu os santinhos dos candidatos a deputado estadual e federal do PSL sem a candidata do partido e só mencionando Nelsinho e Miglioli. Soraya comunicou o caso ao presidente nacional em exercício do PSL, Gustavo Bebiano Rocha, que teria cobrado Rodolfo.

Furioso, o pecuarista ligou para a candidata e lhe fez as ameaças por telefone.

Além de denunciá-lo à Polícia Civil, Soraya pediu intervenção do diretório nacional para destituir o produtor rural do comando do partido no Estado e a sua expulsão do PSL.

No pedido, ela conta que o apoio ao governador causou grande descontentamento entre os apoiadores de Bolsonaro no agronegócio. Para piorar a situação, segundo a petição, a situação de Reinaldo piorou com a Operação Vostok, que apura prejuízo de R$ 209,7 milhões aos cofres públicos e o pagamento de R$ 67,7 milhões em propinas ao tucano.

“A coligação firmada com o PSDB, além de absolutamente antipática aos eleitores de JAIR BOLSONARO, foi pérfida para os candidatos do PSL, que tiveram suas chances de eleição barbaramente diminuídas, pois os votos de legenda que serão transmitidos por JAIR BOLSONARO, não beneficiarão diretamente os candidatos do PSL, mas sim os candidatos escolhidos à dedo pelo PSDB na famigerada coligação”, alerta.

Soraya cobra punição exemplar ao presidente regional da sigla, principalmente, para não reforçar a acusação feita contra o candidato a presidente da República do PSL, de que não valorizar  a mulher e ser machista.

“A reverberação das ameaças do Requerido à integridade física da Requerente teria um efeito nacional devastador à imagem do PSL e à própria campanha presidencial. Entretanto, como pode a Requerente manter sua tranquilidade tendo como suplente uma pessoa que ameaçou por três vezes a sua vida?”, questiona.

O Jacaré procurou o presidente regional do PSL na manhã de hoje, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. Assim que ele responder, este espaço será usado para apresentar a sua defesa.

Contudo a denúncia é gravíssima e merece resposta exemplar da cúpula do PSL, principalmente para por fim aos desgastes sofridos por Bolsonaro, principalmente, entre as mulheres.

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