Chanceler da Venezuela afirma que a Europa não deve cair aos pés dos Estados Unidos

Jorge Arreaza, durante a entrevista. ANDREA HERNÁNDEZ

Por Javier Lafuente do El País Brasil*

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza (Caracas, 1973), transmite uma sensação de tranquilidade que contrasta com a intensidade que o país viveu nas últimas semanas. Arreaza recebe o EL PAÍS na última hora da tarde de sexta-feira em uma sala de reuniões do Ministério, onde há um busto de Hugo Chávez, presente do presidente russo, Vladimir Putin. Acaba de voltar da praça de Bolívar, no centro de Caracas, onde o chavismo deu início a uma coleta de assinaturas contra a ingerência que denuncia do Governo de Donald Trump. “Nos julgam, nos condenam, nos sentenciam sem sequer nos ter ouvido”, afirma o chefe da diplomacia do Governo de Nicolás Maduro, que antes de ir à praça se reuniu com alguns representantes dos Estados Unidos que permanecem na Venezuela. E garante que se sentarão para conversar com quem for preciso: “De fato, houve contatos sobre os quais não se sabe”, afirma.

Pergunta. Que tipo de contatos?

Resposta. No nível mais alto possível, depois de muitas tentativas. Parece mentira que se tenha chegado a essa conjuntura. E estabeleceremos mais e estaremos sempre presentes para que sejam frutíferos e haja respeito entre as partes.

P. O que é preciso acontecer para que ocorra uma aproximação com o grupo de contato?

R. O presidente Maduro foi muito flexível com a União Europeia. Estive há pouco menos de um ano em conversações com Federica Mogherini [líder da diplomacia europeia] e disse ao presidente que estava convencido de que a UE tinha concordado com a posição dos EUA e fazia parte do plano para gerar uma crise na Venezuela. A senhora Mogherini nos repetiu o mesmo plano que está registrado na proposta do grupo de contato. É como uma espécie de palavra irredutível, que obedece uma única versão dos fatos. Tivemos reuniões com os representantes das Embaixadas, solicitei ao alto comissariado uma reunião há uma semana, no momento patético do ultimato, mas não obtivemos resposta. As tentativas, no momento, foram pouco frutíferas, mas mantivemos relações com um grupo de embaixadores e com uma instituição que não nos reconhece, porque temos certeza de que a Europa deve se dissociar da posição dos Estados Unidos e ajudar a buscar uma solução pacífica.

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