Bancos “sufocam” na fronteira e clientes enfrentam filas até nos caixas eletrônicos

Filas até nos caixas eletrônicos geram reclamações na fronteira

Associação Comercial quer atrair novas agências para a Ponta Porã

 

Filas enormes, poucos caixas internos para realização de saques de valores altos, redução no quadro de funcionários, pouca atenção aos clientes idosos, analfabetos ou com limitações de mobilidade, caixas eletrônicos sem dinheiro ou “off line” e congestionamentos nos serviços de autoatendimento são algumas das inúmeras reclamações das quais são alvos as agências bancárias instaladas em Ponta Porã.

O problema é comum em todos os bancos, privados ou não, e vem se estendendo há anos, sem que haja sequer uma iniciativa para que esta realidade não perturbe mais o cotidiano de quem precisa dos serviços oferecidos pela rede bancária na fronteira.

No ranking de reclamações encaminhadas ao Procon, os bancos ocupam o topo da lista, perdendo apenas para as operadoras de telefonia. A lei municipal que determina 15 minutos como tempo máximo de espera dos clientes pelo atendimento nos caixas internos, na verdade só existe no papel. Nenhuma agência respeita e dão sinais que não estão “nem aí” para as queixas e as multas que eventualmente possam decorrer da infração.

No último feriadão, então, foi um sufoco geral. Com o aporte de milhares de visitantes que vieram fazer compras em virtude da realização da 7ª Black Friday Fronteira, faltou dinheiro nos caixas eletrônicos e muitos deles “travaram” por causa do intenso número de operações.

Nas agências nenhum gerente está disposto a dar explicações sobre o problema, limitando-se a encaminhar os questionamentos para as respectivas assessorias de comunicação, que mais parecem gravadores, já que repetem as mesmas respostas: “são eventos pontuais e que ocorrem somente nos primeiros dias do mês, em virtude das liberações de pagamentos de benefícios do INSS, ou Bolsa Família”, enfim, desculpas que não justificam os fatos.

A verdade é que, apesar de disputarem clientes a cotoveladas com seus concorrentes, investindo pesado em mídia e oferecendo a cada dia novos pacotes de serviços com “taxas diferenciadas” e avanços tecnológicos digitais, os bancos vêm se tornando menos humanos e mais “sintéticos”, deixando o cliente “falando sozinho”, mas, sem esquecer-se de cobrar “até pelo ar que ele respira”.

Há uma gritante inversão de valores na relação entre os bancos e seus clientes. Do jeito que a coisa anda, as redes bancárias demonstram que elas sim é que são vitais para a sobrevivência dos clientes, quando deveria ser justamente ao contrário.

De qualquer forma, o problema vem incomodando a comunidade de Ponta Porã e às pessoas que por ventura estiverem visitando a fronteira. Na contramão dessa questão, há décadas que a cidade vem perdendo agências bancárias. Umas simplesmente fecharam as portas e “tchau”. Outras, em função de fusões, foram absorvidas por outros bancos que, invariavelmente, também acabaram lacrando as portas das agências menores.

Por isso, reforçando a celebração de parcerias com o Procon e com o Ministério Público Estadual, a Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã (ACEPP) quer mudar esta realidade e trabalhar no sentido de atrair novas agências bancárias para, sempre com foco no princípio de que a livre concorrência favorece tanto quem compra, como quem vende. A diretoria da ACEPP deve promover novas oportunidades, em futuro próximo, para colocar em discussão a instalação de novas agências. (Edmondo Tazza – MTE/MS 1266)

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