Artigo: Duas dezenas aqui! Milhões pelo mundo! Uma breve reflexão sobre o Ele Não!

Por Juliani Caldeira*

 

Em várias cidades do país ocorreram diversas manifestações contra o candidato à presidência da república Jair Bolsonaro. O ato foi convocado por movimentos sociais por conta das declarações com teor machista, misógino, racista, homofóbico etc., emitidas pelo referido candidato ao longo de sua trajetória política, e também pelas propostas de sua pré-candidatura que não contém em seu teor nenhuma política voltada para a defesa da igualdade entre homens e mulheres, tanto quanto na questão salarial quanto na representação política.

O movimento Mulheres Contra Bolsonaro e Ele Não representaram o maior ato de movimento de mulheres da história do Brasil e também contra um candidato, independente do sexo, segundo Céli Regina Jardim Pinto, autora do livro Uma história do feminismo no Brasil e professora do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Além disso, segundo o G1, 114 cidades em 26 estados e no Distrito Fedral tiveram manifestações contrárias a Bolsonaro. Também houve atos em diferentes cidades do mundo, como Nova York, Lisboa, Paris e Londres. As maiores manifestações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Por imagens aéreas dos atos, cálculos que consideram a área ocupada pelos manifestantes produzem estimativas do número de presentes em uma análise conservadora e não científica: chega-se a cerca de 100 mil pessoas no Largo da Batata, em São Paulo, e 25 mil na Cinelândia, no Rio, no momento de pico.

No Mato Grosso do Sul, segundo o Coletivo Juntas, houveram manifestações em Campo Grande, Dourados e Paranaíba, mas por meio de veículos independentes foram organizadas também em Três Lagoas, Corumbá, Bonito, Ivinhema e Ponta Porã.

Em Ponta Porã, cerca de 20 pessoas foram às ruas manifestar sob a marchinha “Ele Não” sua rejeição ao candidato, porém não se deixem enganar pela quantidade de pessoas, o número de rejeições a Jair Bolsonaro na cidade é expressivamente grande. Muitas pessoas estavam no grupo de organização do manifesto, mas muitas relatavam medo por estarem em região de fronteira, em relação à violência, e também por medo de retaliações, já que a maioria dos empresários apoiam tal candidato, então compreendemos o porquê de poucos conseguirem ir expressar sua opinião.

Foram reunidos professores, estudantes, membros da sociedade civil, pessoas, empregados, desempregados, e principalmente pessoas que acreditam num mundo em que não seja preciso mais violência para se resolver as coisas. Pessoas que querem um mundo de amor e respeito ao próximo e que conseguiram, apesar do número, expressar para a população, com muita coragem e determinação, o porquê de não quererem um presidente que represente o ódio às minorias.

Como em todo protesto, há quem goste e quem não goste, mas principalmente o que mostra a educação de um povo é o respeito às opiniões. O grupo enfrentou alguns ataques pessoalmente de alguns, e ainda virtualmente de uma parcela equivocada da população. O principal, e o que querem registrar, é que foram apoiados pela grande maioria das pessoas, mesmo que via facebook, e que entendem que ir para a rua manifestar pode representar perigo para algumas pessoas.

Dessa forma, a organização do movimento Ele Não em Ponta Porã agradece a esse apoio fundamental e diz à população que esse foi apenas o primeiro, pois precisamos democratizar mais os espaços públicos para que manifestemos nossas demandas e nos fazermos presentes para isso, pois essa união é capaz de mudar de verdade o Brasil e de, finalmente, as mulheres, começarem a ter voz num espaço predominantemente masculino. Enfim, a organização informa à população que entraram sim para o Guiness Book, mas juntando às milhões de vozes que ecoam ELE NÃO nesse Brasil em defesa da democracia e da liberdade de expressão.

Juliani Caldeira
Pedagoga, Mestranda em Educação Cientifica e Matemática.
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